Considerações sobre um novo caso

Publicado por em 16/01/2019 às 12h16

Essa semana realizei uma avaliação em uma nova paciente, um caso desafiante e muito interessante, após sua autorização resolvi contar aqui para vocês:

Mulher, 39 anos, mãe de um garotinho de 3 anos, buscou tratamento com a acupuntura como apoio à Reprodução Assistida, está com dificuldades para gerar o segundo filho, vou chamá-la ficticiamente de Ana.

Em 2015 Ana estava na Inglaterra, Londres, fazendo seu Doutorado acompanhada de seu marido, engravidou inesperadamente, a gestação transcorreu normalmente, não apresentou nenhuma intercorrência, com 36 semanas ao realizar os exames de rotina foi diagnosticada com síndrome de HELLP, espaço para explicar a síndrome:

HELLP - síndrome caracterizada por hemólise (destruição das hemácias), enzimas hepáticas elevadas (característica de lesão nas células hepáticas) e plaquetopenia (favorecendo hemorragias), muito comum ser esperada como uma complicação da pré eclampsia, porém nem sempre a mulher apresenta hipertensão anterior, apresenta-se a partir da  36ª semana de gravidez e pode aparecer até o 7º dia de puerpério, o tratamento principal é a interrupção da gravidez, mesmo com o bebê prematuro, e depois trata-se os sintomas, é uma complicação gestacional gravíssima, uma das principais causas de morte materna no mundo.

A a partir da confirmação do diagnóstico de HELLP, Ana foi internada e seu parto foi induzido, seu filho nasceu saudável de parto normal e passou muito bem, a primeira complicação veio durante o parto, os médicos decidiram a retirada cirúrgica da placenta pelo risco de hemorragia, infelizmente mesmo assim a hemorragia da artéria uterina aconteceu e Ana apresentou hemorragia massiva, foram 14 dias de coma, 3 meses de traqueostomia, entre suas complicações imediatas em UTI estão falência dos rins, edema pulmonar, ruptura parcial do fígado e sepse, achou pouco? Complicação tardia Ana apresentou polineuropatia - seus nervos não funcionavam corretamente e ela não conseguia segurar nem mesmo a cabeça e tinha dores fortíssimas, realizou algumas cirurgias abdominais para limpeza da infecção, seu abdômen permaneceu aberto por dois anos, porque apareciam focos de infecção sem explicação, foram 3 meses de UTI, 7 meses de internação, 1 ano para conseguir voltar ao Brasil, diante da comunicação entre os médicos ingleses e uma equipe especializada no Hospital das Clínicas de São Paulo. Após seu abdômen ter cicatrizado por segunda intenção (sozinho de dentro para fora), ela realizou uma cirurgia plástica para reconstrução e há um ano foi liberada para engravidar novamente.

A gravidez deve ser acompanhada por uma equipe de alto risco, porém claro, após toda esta história a gravidez não ocorreu naturalmente, descobriu obstrução em suas tubas uterinas e sinéquias no útero, sua menstruação após um ano do parto voltou e permaneceu regular, porém em novembro de 2018 seu médico da reprodução assistida do HC pediu mais uma histeroscopia cirúrgica por conta das sinéquias, tais sinéquias podem atrapalhar a nidação do embrião na parede do útero durante o tratamento de fertilização in vitro, e depois disso ela não menstruou mais, sem menstruação o médico não acredita em uma tentativa de FIV, portanto, seu principal objetivo comigo seria favorecer esta menstruação. 

Ana percebe sua ovulação e entra em todo o processo como se fosse menstruar, mas não apresenta sangramento.

Eu acredito na acupuntura, penso que de alguma forma o corpo dela falou comigo, pois ela sangrou algumas horas após a nossa sessão, porém meus questionamentos são outros...

Trabalho com infertilidade há muitos anos, vejo o desejo e a frustração de mulheres na busca de seu grande sonho, penso agora como é para a alma dessa mulher que em um momento que representa o ápice do feminino, a gravidez, nas vésperas de uma grande expressão de mulher, seu parto, ela é diagnosticada com algo tão grave, e chega a beira da morte num momento que representa tanta vida, quais as feridas nesse corpo que não podem ser vistas? Quais as feridas na alma dessa mulher? Quais os medos dessa mulher em se colocar novamente em risco? Quais os anseios dessa alma que na tentativa de se curar definitivamente deseja outro filho?

Eu acredito na acupuntura e na medicina chinesa, acredito na liberação dos canais, fortalecimento de sua energia e acredito na possibilidade dessa gravidez, mas sei também que não fazemos tudo, a Benção do útero e a Microfisioterapia serão técnicas que estarão comigo nesse processo, acredito no desejo da Ana e acredito em Deus, espero em pouco tempo poder vir aqui contar a vocês que Ana engravidou e que mãe e filho passam bem após o parto.

Até a próxima

 

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